Uma análise das transferências operadas nos principais mercados neste período de transferências permite chegar à conclusão de que a crise financeira também chegou ao futebol. Com efeito, um pouco por toda a Europa, verifica-se um fenómeno de concentração dos custos com aquisição de direitos desportivos de jogadores num conjunto muito restrito de equipas.
Por exemplo, no ranking das 20 maiores transferências, 25% dos negócios envolveram o Manchester City como comprador (4 das 5 primeiras), sendo que Barcelona, Real Madrid, Juventus e Marselha “contribuem” com 2 jogadores cada. Ora isto não pode deixar de significar um aumento do fosso entre os clubes mais ricos e os mais remediados, o que se repercutirá por certo na competitividade dos campeonatos europeus.
Nos principais campeonatos europeus, o poder já é dividido por um pequeno grupo de clubes - (Barcelona, Real Madrid; Chelsea, Man Utd; Bordeaux, Lyon), num modelo que a Escócia eternizou com o seu Old Firm e que faz com que católicos e protestantes sonhem com o ingresso na Premier League. O que interessa é entrar nas competições que geram maior volume de receitas, cortando com a tradição. Não faz lembrar as ideias de Vale e Azevedo e da Liga Atlântica?.
A Premier League, com os fenómenos Manchester City, mas igualmente com o poder financeiro de Arsenal, Tottenham, Liverpool ou, mais recentemente, Birmingham City (atraiu o “quase Benfica” Hleb) continua a liderar o ranking dos mais compradores.
Em Itália, o caso é quase dramático. O Inter de Milão será, actualmente, a única equipa com dimensão verdadeiramente mundial e isso tem-se reflectido na atractividade do mercado. Para quando o Milan e a Juve de outros tempos??
Curiosamente, o mercado da maior economia europeia é aquele que dá mostras de maior racionalidade em termos de aquisições de jogadores. Na Alemanha, o campeão Bayern (e finalista da Champions), referência de boa gestão com resultados positivos há bastante tempo, não contratou nenhum novo jogador e vai “viver” com a concorrência feroz de Schalke 04, que se reforçou significativamente (Raúl, Metzelder, Jurado e Huntellar são algumas das caras novas) e Werder Bremen (Arnautovic, Wesley e M.Silvestre). Os estádios permanecem cheios e a saúde financeira dos clubes agradece…
Em Portugal, os níveis de investimento foram, ainda assim, bastante significativos, fundamentalmente impulsionados pelos bons resultados em termos de vendas, com 3 negócios nos 20 maiores deste defeso. Contudo, uma análise mais fina ao saldo de compras/vendas leva-nos à evidência de que o campeão foi o … Braga, com 10,5M€ de saldo positivo (Eduardo, João Pereira e Evaldo).O filme continua…
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